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Trabalhadores do turno da noite de Santo Antônio também aprovam acordo e encerram greve nas usinas

02/04/2012

Operários começam agora a discutir campanha salarial

Escrito por: Luiz Carvalho, de Rondônia

 

Os trabalhadores do turno da noite da usina Santo Antônio seguiram os passos do pessoal da manhã e dos operários de Jirau e também aprovaram em assembleia na noite desta segunda (2) o acordo costurado em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho.
 

Na última sexta-feira (30), após intensa negociação, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil (Sticcero) e as comissões formadas nas bases arrancaram a 7% de aumento salarial antecipado e R$ 220 de elevação no vale alimentação para quem ganha até R$ 1.500, maior parte do pessoal. Os demais ficam com 5% de reajuste e mais R$ 200 de vale.

Conforme lembrou pela manhã o presidente da Confederação dos Trabalhadores da Indústria da Construção e da Madeira (Conticom), Cláudio Gomes,  que conduziu o processo de diálogo desde o início, o próximo passo é iniciar a discussão sobre a campanha salarial. “O mais importante neste momento é retornarmos à mesa de negociação para estabelecermos a legalidade do processo e avançarmos em nossas conquistas. Se tudo correr como nos anos anteriores, acredito que em no máximo duas semanas teremos o acordo fechado.

A categoria que tem data-base em maio reivindica 30% de aumento, pagamento de 100% de todas as horas extras, baixada de 10 dias a cada 70 trabalhados, entre outros pontos.

O movimento começou no dia 9 de março, quando operários da Enesa Engenharia, terceirizada contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela construção de Jirau, resolveram cruzar os braços por conta das precárias condições nos alojamento. Três dias depois, todo o canteiro aderiu à paralisação. No dia 26 foi a vez dos trabalhadores de Santo Antônio aderirem à manifestação.  

Ele(a)s são Jirau, ele(a)s  são Santo Antônio
A participação ativa nas negociações de uma comissão formada nas bases, sempre ao lado do sindicato, demonstra que o tempo da dominação pela hierarquia e pelo medo de ser demitido está com os dias contados. No Brasil das grandes construção e da escassez de mão de obra os avanços que partem das usinas de Jirau e Santo Antônio acabam por servir de parâmetro a operários de outras grandes obras espalhadas pelo Brasil.

E os avanços continuam graças a pessoas como o pedreiro Guilherme Ferreira. Filho de um mestre de obras, ele abandonou Uberlândia e a profissão de supervisor de segurança antes mesmo de sair do país para trabalhar no serviço braçal em Madrid, onde ficou oito anos. Quando a crise chegou ao continente europeu, resolveu cadastrar o currículo na Camargo Correa para virar mais um alojado em Jirau.

Proposta foi aprovada pelos operários por unânimidadeComissão ajudou a manter a luta –Na paralisação deste ano, foi um dos escolhidos em assembleia pelos companheiros para integrar a comissão de negociação. Movido, segundo ele, por uma revolta com os maus tratos que assistia. “É revoltante ver a forma como a gerência trata os próprios colaboradores. Pensei que tinha que fazer algo. Essa é a primeira greve da qual participo e é uma missão pesada, porque tem a cobrança dos próprios trabalhadores e da empresa, que se recusa a falar com a gente”, comenta.


Para ele, as raízes dos operários estabelecidas nas bases foram fundamentais para manter o caráter pacífico da mobilização. “Sempre conversamos com o povo e dissemos que a nossa paralisação é simplesmente a reivindicação de direitos”, explica, demonstrando a consciência do movimento paredista.

De roadie a soldador
O caso do soldador Manolo Carvalho não é muito diferente. Cabelos raspados, barba por fazer, brinco na orelha esquerda, o funcionário da Enesa também possui uma extensa experência profissional.

Nascido em Galia, interior de São Paulo, ele foi já foi roadie (quem carrega o equipamento dos músicos), operador de som e montador na área metalúrgica. Após ser contratado por uma grande indústria na capital paulista para trabalhar numa fábrica que montaram em Porto Velho, capital rondoniense, viu surgir uma oportunidade como soldador na Enesa. O salário era melhor e ele resolveu mudar de área e de ares.

No caso dele, nem precisou se candidatar, foi logo escolhido pelos companheiros para fazer parte da comissão de negociação.

Desafio é manter o diálogo – Para ele, a pior parte de uma grande obra é ficar longe de casa, alojado, sem privacidade e ainda enfrentar o desgaste do trabalho. “Ano passado eu tive turnos de até 16 horas por dia para dobrar o meu salário. Para driblar o sono, só com garra mesmo.”

A esperança é que o clima de diálogo com a empresa, conquistado nas negociações, permaneça. Porém, mantém os pés no chão. “A prioridade das empresas não é o bem estar do trabalhador, é o lucro. E tendo isso em mente, acredito que o clima favorável às negociações só exista por conta da greve.”


Mulheres na luta
Miriam Araújo e Marcela Araújo tem o mesmo sobrenome, estão há um ano e um mês na Enesa, mas não são parentes e nem se conheciam antes. Miriam é baiana e deixou o emprego de vendedora no Rio de Janeiro para trabalhar na lavanderia. Marcela é maranhense e virou auxiliar administrativa.

A primeira é nova na comissão, a segunda, está no final do mandato, que começou no ano passado. Em comum, o desejo de ver as coisas mudarem. “Após um acidente na lavanderia eu fui questionar o que estava acontecendo e fui informada que se continuasse com isso poderia ser demitida. O sindicato soube dessa situação e me chamou para entrar na comissão e lutar”, conta Miriam.

Mesmo longe do operacional, Marcela sabe que a vida de operário não é fácil. “O relacionamento entre empregador e empregado é difícil. Eu tenho com quem conversar porque há um contato grande com os chefes no administrativo, mas outras pessoas não tem essa oportunidade e, quando vão reclamar de algo e a chefia não gosta, são mandados embora.”

Ela critica ainda a falta de estrutura. “A paralisação não foi só pelo financeiro, mas também por melhorias no alojamento, na alimentação, porque falta EPI (equipamento de proteção individual). Essa condição maravilhosa que a Camargo diz não procede, é mentira.”

A ditadura já era
Há 18 meses em Santo Antônio, o soldador Jonas Souza participa pela primeira vez de uma paralisação e já aprendeu que patrão só negocia com a faca no pescoço. “Quando chegamos, a cesta básica era de R$ 110, hoje é R$ 170 e agora vai para R$ 220. Se não tem movimento, se a gente não reclamar fica do jeito que está.”

Responsável por lembrar aos empresários na mesa de negociação as dificuldades de se comprar o mínimo para sobreviver com uma cesta básica de R$ 174, o armador João Bastista Arc, também há um ano e meio em Jirau e agora membro do grupo negociador, deixa claro que o tempo do “sim senhor” está com os dias contados. “Nós estamos conquistando nossos direitos. Será que hoje no Brasil não dá pra fazer mais uma greve legal? Ou estamos vivendo a ditadura de novo? O Brasil não é mais assim, o país agora é democrático”, ensina.
 

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